INFILTRAÇÃO | TBA - Teatro do Bairro Alto | 2020

Sofia Dias e Vítor Roriz vão passar seis meses no Teatro do Bairro Alto e chamaram Infiltração a esta estadia: um processo de experimentação colectiva que junta a dupla de coreógrafos à equipa do TBA. Há espaço nesta permanência para a lentidão e para a invisibilidade, procurando inscrever na comunidade um corpo de trabalho — por oposição ao nomadismo de que muitas vezes é feita a vida dos artistas. Infiltração contempla a reposição de uma peça, a criação de duas performances e, em Junho, a estreia de uma peça para cinco intérpretes. Há lugar ainda para actividades paralelas e até para a interferência dos coreógrafos nas rotinas de produção e programação do TBA.


Tudo começa com O que não acontece, espectáculo de 2018 (estreado no Festival Alkantara) que funciona como síntese de muitas das preocupações formais da dupla: a relação do gesto com o texto dito e cantado, o modo como os objectos informam o movimento, a escrita como ato performativo ou acção coreográfica. Trata-se de uma síntese da própria vida, do que é viver, destruir e construir com o outro, do que é estar em cena partilhando com o público uma intimidade. Síntese, sobretudo, do que ficou por fazer. Sem pausas, sem espaços em branco, sem pontuação. A infiltração alastra-se a todo o edifício do TBA. Procurando escapar a qualquer tentativa de contenção e coerência, privilegiando o estado de pesquisa e a sua natureza lúdica e efémera, as performances Dispositivos e Otus Scops serão um momento de teste e uma tentativa de desvio dos modos habituais de criação de Sofia e Vítor, bem como uma oportunidade para incluir neste questionamento outros artistas.

Os Dispositivos vão proliferar pelo edifício a partir da Sala Manuela Porto. Alguns baseiam-se em premissas simples de improvisação de movimento e texto, outros são tangenciais à ideia de prática ou exercício, outros ainda dependem de partituras que podem ser activadas pelas pessoas do público numa lógica participativa. A experiência será diferente nos três dias de apresentação: mudam os dispositivos, os espaços, as durações e os formatos. No último dia, a performance progredirá até se transformar numa conversa com o público.

Em Otus Scops o público é convidado a assistir a uma composição de vários elementos musicais e sonoros das peças anteriores de Sofia e Vítor. Esses elementos serão articulados numa lógica próxima da de um concerto, aproveitando-se para fazer algumas experiências corais que poderão servir de ponto de partida para o trabalho previsto na continuação desta infiltração: a peça de grupo Escala, a estrear em Junho de 2020.

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